Morada

Março 25, 2008

Meu esforço caía sobre às pedras como a chuva ás flores.
Regando o chão de suor, as paredes cresciam, e as pedras se multiplicavam,
e como as árvores, os sustentáculos do firmamento, em direção ao céu.

Eu as ordenei e encaixei. Moldei algumas,
até que um corpo coubesse ali, queria que fosse o meu.

Agora tinha dois corpos, um que haviam me dado, que o tempo montou e que o tempo corrói.
E um que fiz, com o tempo, com o corpo, com suor e com pedras. Que o corpo corrói, se o tempo não apaziguar.

Os tempos corriam agora, não mais caminhavam. Os meses e dias, a vida e o próprio tempo ainda sem nome,
cruzavam implacáveis o espaço. Feito de pedra, corpo, suor, de mim, e do prórpio tempo.

E até que, enfim, sem que em nada fosse escrito ou relatado, nem por mim nem pelo tempo; sem aviso,
ou antemão; a terra, ainda sem nome, em comunhão com as pedras, decidiram que as paredes,
que ainda não as eram, pois nada havia grafado, não me caberiam jamais como lar, mesmo estas ainda não o sendo,
e que o tempo me abandonaria; abanadoria as andanças que fazia pela minha vida e por mim.

E que caberia a mim agora um terceiro lar, uma terceira pele. Onde nada cresce, senão sobre mim.
Sem suor, sem esforço, sem pedras, sem tempo. Somente eu, em mim, e mais nada.

os passos são curtos
os joelhos curvos
os sonhos descoloridos
os olhares turvos

o tamanho da ferida jenuflectiva,
é a idade to tempo
o aniversário do povo
que há 11 mil anos
gerava em seu ovo
as embrionárias cracias
uma forma transgênica de “ordem”
poder e não, em bela fantasia

a febre é o sinal,
o eco na terra
do trote inflexível; do mal,
da fome e da peste,
do corte amoral
em câmera lenta,
enquanto dava as mãos aos pregos
enquanto abria os braços,
os olhos negros dos fracos
dos vencidos
denunciam traços, de dor ancestral
do eco da terra,
do rastro dúbio, do mal,
da fome e da peste,
da guerra

que o santo cantou, que o rei logrou
que o soldado lutou
que o povo sangrou,
pelas artérias da ignorância
por uma patela habituada, mais com o solo do que com seu próprio sangue.

Alegoria da Impessoalidade

Março 25, 2008

Meus jasmim e primavera,
Os beirais e as portas,
Minha paz e orgulho,
As estações, as cores e a vida
Meus traços e sorrisos
Meus braços,

Roubaram enquanto eu dormia
Quebraram meu teto
E eu não acordei
Deste lado do muro, ainda não é dia
Mas posso ver através do concreto
Agora
Posso ouvir segredos
De pegadas, de traços
Das sombras
De reflexos

pigmentos crassos
Incomodados traços

Atados (os) braços