Morada
Março 25, 2008
Meu esforço caía sobre às pedras como a chuva ás flores.
Regando o chão de suor, as paredes cresciam, e as pedras se multiplicavam,
e como as árvores, os sustentáculos do firmamento, em direção ao céu.
Eu as ordenei e encaixei. Moldei algumas,
até que um corpo coubesse ali, queria que fosse o meu.
Agora tinha dois corpos, um que haviam me dado, que o tempo montou e que o tempo corrói.
E um que fiz, com o tempo, com o corpo, com suor e com pedras. Que o corpo corrói, se o tempo não apaziguar.
Os tempos corriam agora, não mais caminhavam. Os meses e dias, a vida e o próprio tempo ainda sem nome,
cruzavam implacáveis o espaço. Feito de pedra, corpo, suor, de mim, e do prórpio tempo.
E até que, enfim, sem que em nada fosse escrito ou relatado, nem por mim nem pelo tempo; sem aviso,
ou antemão; a terra, ainda sem nome, em comunhão com as pedras, decidiram que as paredes,
que ainda não as eram, pois nada havia grafado, não me caberiam jamais como lar, mesmo estas ainda não o sendo,
e que o tempo me abandonaria; abanadoria as andanças que fazia pela minha vida e por mim.
E que caberia a mim agora um terceiro lar, uma terceira pele. Onde nada cresce, senão sobre mim.
Sem suor, sem esforço, sem pedras, sem tempo. Somente eu, em mim, e mais nada.
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