fácula
Maio 18, 2009
Às margens dos dedos
cheiro de alma pura
que as rendas de diana
suspiram e declamam
no farfalhar das notas doces.
janelas vazias
Maio 18, 2009
o vento a pouco e lento e fraco
se aproxima
e traz
o olhar que humilde
se perfaz
escada acima
que em pouco tempo
o tempo engole
e que a fascinação recolhe
p’ro berço escuso
onde a obliteração germina.
a voz é um trato
arranjo farto de descaso
que ulula
e ecoa igual
em cada vão da muda carne
em cada caco o cuspo crasso do vazio
que súbito emudece o brilho
é o ponto escuro
onde a obliteração vacila
janelas são pontes
vazias são poços
onde se perdem corpos
de onde brotam fontes
fonte dos tíbios traços
dos plínios braços
que descuidados
andaram por fechar janelas
semeando trevas.