fácula

Maio 18, 2009

Às margens dos dedos
cheiro de alma pura
que as rendas de diana
suspiram e declamam
no farfalhar das notas doces.

janelas vazias

Maio 18, 2009

o vento a pouco e lento e fraco
se aproxima
e traz
o olhar que humilde
se perfaz
escada acima
que em pouco tempo
o tempo engole
e que a fascinação recolhe
p’ro berço escuso
onde a obliteração germina.

a voz é um trato
arranjo farto de descaso
que ulula
e ecoa igual
em cada vão da muda carne
em cada caco o cuspo crasso do vazio
que súbito emudece o brilho
é o ponto escuro
onde a obliteração vacila

janelas são pontes
vazias são poços
onde se perdem corpos
de onde brotam fontes

fonte dos tíbios traços
dos plínios braços
que descuidados
andaram por fechar janelas
semeando trevas.

calai

Abril 18, 2009

papéis em branco
sobre nós
jornais calados
em voz de ninguem
niguem diz alem
do que nós
de que nos cabe ir alem
da voz

asfaltos e praças
de ninguem
retratos e máquinas
nos dizem calados
que alguém
sangrou as palavras
sem nós

disatam milagres
porém
sob o brilho de pérolas
plásticas
de mares e pontes
de ninguém
refúgio da sorte
trágica

resgatam milhares
de alguéns
dos trilhos de torres
mágicas
de olhares e cores
de ninguém
reduto de mortes
plásticas

arcano lunar

Abril 18, 2009

eis o terreno dos fecundos
eis a pátria dos poetas
eis meu supra entre os mundos
eis o lado escuro da moeda

sépia e carmim

Abril 18, 2009

mãos de cores caçam,
e os cactos, e os cactos
e o zeppelin, e o zeppelin
um portal e a terra se perde
em sépia e carmin
entre rodopios, pontes e mares
martires e penas se deixam pra tras
em sépia e carmin
cria, recria e acaba
fechadura e porta
o sono e o sonho
e o sono
em sépia e carmin